O que você quer ser quando envelhecer?

Publicado em: 04/01/2021

Fonte: Valor Investe, por Ana Leoni

Foto: Freepik

Quem aqui já não teve de responder, quando criança, a pergunta: “o que você quer ser quando crescer?” Confesso não lembrar da quantidade de vezes que fui indagada sobre o assunto desde que me entendo por gente. Mas me lembro de algumas das respostas, pois sempre havia uma. No fundo, toda a criança sabe bem responder a essa questão.

Eu tive épocas de policial, de juíza, de diretora de escola, de bancária… com o passar do tempo, a maturidade me fez entender que meu desejo estava em fazer algo relevante, que pudesse impactar de alguma forma a vida das pessoas. Levou tempo, mas eis-me aqui, há anos, trabalhando para desvendar o indesvendável comportamento financeiro humano.

Ainda criança, quando questionada, me sentia como se acelerasse a infância por alguns instantes para me projetar em um futuro incerto, e refletir sobre onde e como gostaria de estar. Era tomada por um total senso de responsabilidade.

Quando esse momento verdadeiramente chega, mergulhamos no seu ritmo. O futuro cessa e o que importa é apenas o presente. Pouco nos atentamos ao amanhã, pois o tempo corre apenas no hoje. Não revisitamos o passado para saber se os planos infantis se concretizaram, tampouco nos questionamos sobre o que vem pela frente. Nunca nos perguntamos o queremos ser quando envelhecer.

Já parou para pensar como estará daqui 20, 30 ou 40 anos?

A boa notícia é que a expectativa de vida no Brasil é de 75,4 anos, e sobe a cada ano. Ou seja, teremos muito tempo pela frente para organizarmos o nosso amanhã. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) em 2050 o Brasil terá 23% da população com mais de 65 anos, ficando atrás apenas do Japão (38%), Europa (28%) e China (26%).

A má notícia é que quase nada está sendo feito para tornar a nossa longevidade equilibrada. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 1% apenas da população idosa vive com os próprios recursos financeiros. Os demais, precisam continuar trabalhando, dependem da família ou vivem no completo abandono.

Esses dados mostram uma triste realidade, e me fazem refletir que somos mais capazes de imaginar o futuro aos 5 anos do que aos 40. A nossa incapacidade de olhar adiante, ou de negar a finitude, faz com que a vida futura seja bem diferente daquela projetada nas propagandas de margarina e dos planos de previdência.

Portanto, há tempo de sobra para avaliar as escolhas do presente e seus impactos no futuro. Podemos – e devemos – sim pensar (e planejar) sobre o que queremos ser e como queremos estar ao envelhecer. Seja qual for o plano, o sonho ou a profissão escolhida, será preciso estar financeiramente preparado para tal, sem romantizar e nem menosprezar os efeitos da idade.

E se ninguém ainda lhe perguntou, aí vai: O que você quer ser (ou ter) quando envelhecer?

 

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