Poupança completa 160 anos – confira três investimentos na renda fixa para ‘aposentar’ a caderneta

Publicado em: 01/02/2021

Fonte: Seu Dinheiro, por Júlia Wiltgen, com edição
Foto: Seu Dinheiro/ Shutterstock

A caderneta de poupança completou 160 anos de existência. Ela não só é a aplicação financeira mais popular do País, como também é o primeiro investimento da maioria dos brasileiros.

Eu ainda guardo a cadernetinha de papel da poupança da Caixa que meu avô abriu para mim quando eu nasci.

Naquela época não havia tantas opções de investimento e instituições financeiras quanto agora. Hoje, muitos pais preferem investir em previdência privada ou mesmo em ações em nome dos filhos.

Mesmo assim, a tradição de abrir poupanças para os pequenos não morreu. Já as famílias que não têm essa possibilidade e que só conseguem começar a poupar mais tarde, também costumam iniciar pela poupança.

E muito embora as pessoas físicas estejam diversificando seus investimentos como nunca antes e tenham acesso a uma ampla gama de produtos financeiros com maior potencial de retorno, a caderneta de poupança ainda se mantém firme e forte.

Com a crise do coronavírus e o pagamento do auxílio emergencial no ano passado, muitas famílias decidiram poupar os recursos para conseguir atravessar os tempos difíceis.

Assim, a caderneta de poupança teve uma captação líquida de mais de R$ 166 bilhões em 2020, o maior valor já registrado na série histórica do Banco Central, iniciada em 1995. No fim do ano passado, o saldo da caderneta totalizava pouco mais de R$ 1 trilhão.

Rentabilidade minguada

Apesar de sua segurança, praticidade e da isenção de imposto de renda, a poupança rende muito pouco. Também não tem rentabilidade diária. Só há rendimento no aniversário mensal. Caso o poupador resgate antes da data de aniversário, os dias “quebrados” não rendem nada.

Com a Selic nos seus menores patamares históricos, o retorno da poupança fica ainda mais comprometido. Desde maio de 2012, sempre que a taxa básica de juros é igual ou menor que 8,5% ao ano, a caderneta paga apenas 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR), que costuma ficar zerada quando os juros estão muito baixos.

Somente em cenários de juros superiores a 8,5% é que a poupança ainda rende o velho 0,5% ao mês mais TR, o que totaliza uma rentabilidade anual de 6,17%.

Com o juro atual de 2,0% ao ano, a poupança está pagando só 1,4% ao ano. No ano passado, como a Selic esteve mais alta que isso durante parte do ano, o retorno da caderneta totalizou 2,11%.

Apenas a chamada “poupança antiga” – depósitos feitos antes de 4 de maio de 2012, quando houve mudança nas regras de remuneração – ainda rendem 0,5% ao mês em qualquer cenário de juros. Para continuarem com essa rentabilidade, os recursos depositados não podem ser movimentados.

Devido ao cenário mundial em que vivemos, a expectativa é que os juros no Brasil permaneçam baixos por um bom tempo. Ainda que subam um pouco neste e nos próximos anos, não devemos ver Selic acima de 8,5% tão cedo, se é que veremos isso novamente.

Assim, o retorno da caderneta continuará minguado. Tudo bem, muita gente que aplica na poupança não está em busca de grandes retornos, mas sim de segurança e praticidade.

Além disso, para quem tem pouco dinheiro e está apenas começando a poupar, ou quer manter guardados os recursos que serão usados no dia a dia, a caderneta de poupança ainda se mostra útil. Uma rentabilidade maior também não faria lá muita diferença.

Porém, há quem tenha uma boa grana parada na poupança. Dinheiro da reserva de emergência, dinheiro de curto, médio e longo prazo, ou dinheiro que não pode ser mexido porque já tem um destino certo.

Para todos esses objetivos, porém, já existem opções melhores, de baixo risco e dentro da própria renda fixa, com maior potencial de retorno. Até mesmo nos bancões! Algumas dessas alternativas podem até mesmo superar a inflação, coisa que não tem sido fácil em um Brasil de juro real negativo.

A seguir, eu trago três opções de investimento de baixo risco que podem substituir a poupança para diferentes perfis de investidor e objetivos:

Para os ultraconservadores e aqueles que precisam de liquidez diária: Tesouro Selic e CDB de bancão.

Para os investidores ultraconservadores e aqueles que precisam de liquidez diária – como, por exemplo, para investir a reserva de emergência – a alternativa mais óbvia é o título público Tesouro Selic (LFT), que paga a variação da Selic mais uma pequena taxa.

Apesar de sofrer a cobrança de imposto de renda na fonte (com alíquotas que variam de 22,5% a 15%, dependendo do prazo), o título tem retorno igual ou maior que a caderneta, além de rentabilidade diária e a possibilidade de ser resgatado a qualquer momento. O dinheiro cai na conta do investidor um dia útil após o pedido de resgate.

O Tesouro Selic também é bastante acessível, aceitando valores baixos de aplicação, e mais seguro que a poupança, pois tem garantia do governo federal. A poupança, por sua vez, tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada sem fins lucrativos que garante até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, em caso de quebra da instituição.

Há duas maneiras de investir no Tesouro Selic: pelo Tesouro Direto e pelos fundos Tesouro Selic que não cobram taxa de administração.

No primeiro caso, é preciso abrir conta numa corretora, que pode ser a do seu banco, mas prefira aquelas que não cobrem taxa de administração. Assim, você só pagará a taxa de custódia de 0,25% ao ano, para aplicações superiores a R$ 10 mil. O valor de aporte inicial para o Tesouro Direto é R$ 30.

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