Quanto investir para ter R$ 10 mil ou R$ 15 mil de aposentadoria por mês?

Publicado em: 08/07/2021

Fonte: UOL Economia, por Matheus Adami

Foto: Freepik

Ter um plano de aposentadoria é algo que parece distante para muitas pessoas. Mas é possível se estruturar para conseguir rendimentos superiores a R$ 10 mil por mês? A resposta é sim, mas a tarefa não é simples, requer consistência e foco. Para se aposentar com R$ 5.000 mensais é preciso investir algo entre R$ 800 e R$ 1.850.

Agora, para se aposentar com R$ 10 mil ou R$ 15 mil mensais, os valores são outros. Quer saber quanto e onde investir? Confira as contas dos especialistas feitas para o UOL Economia+, considerando quatro prazos para a aposentadoria: daqui a 10, 15, 20 e 30 anos. Em todos os casos foram levados em conta dois objetivos: se aposentar com uma renda mensal de R$ 10 mil e R$ 15 mil. Veja abaixo.

Premissas das contas

Para fazer as projeções de quanto investir para se aposentar, os especialistas levaram em conta esses pontos:

– A idade média de aposentadoria para os homens é de 65 anos e das mulheres, 61, segundo o INSS;

– A expectativa de vida das mulheres é de 80 anos, enquanto a dos homens é de 73, segundo dados do IBGE de 2020;

– A diferença, portanto, entre a expectativa de vida e a idade em que ocorre a aposentadoria é de 19 anos para as mulheres e de oito anos para os homens;

– Para os cálculos já foram considerados juros reais de 2% ao ano para os investimentos. Juro real é o rendimento da aplicação menos os impostos a serem pagos e menos a inflação. Ou seja: é o dinheiro que, efetivamente, você vai receber;

Propositalmente foi utilizada uma taxa de juros real conservadora por ser um cenário mais realista, segundo os especialistas, e dificilmente se errará a conta “para menos”. O erro “para mais”, aqui, só beneficia o investidor.

Diferença entre homens e mulheres

O fato de os homens se aposentarem mais tarde e viverem menos tempo do que as mulheres, em média, faz com que o montante a ser acumulado por eles seja menor.

Para usufruir os oito anos decorridos entre os 65 anos (idade de aposentadoria) e 73 anos (expectativa de vida), os homens precisam acumular R$ 887 mil para ter uma renda de R$ 10 mil por mês; para R$ 15 mil mensais, o montante final terá de ser R$ 1,330 milhão.

No caso das mulheres, os valores são bem maiores, uma vez que elas terão 19 anos vivendo de renda, conforme idade de aposentadoria e expectativa de vida.

Para ter R$ 10 mil mensais, as mulheres precisam acumular R$ 1,898 milhão; para R$ 15 mil, o valor salta para R$ 2,848 milhões.

Quanto cada um precisa juntar por mês?

A resposta depende do tempo em que o investimento será feito.

Veja quanto os homens precisam investir para se aposentar com R$ 10 mil e R$ 15 mil por mês, considerando juros reais de 2% ao ano:

R$ 10 mil por mês

– Para se aposentar em 10 anos: R$ 6.679 por mês

– Para se aposentar em 15 anos: R$ 4.229

– Para se aposentar em 20 anos: R$ 3.010

– Para se aposentar em 30 anos: R$ 1.802

R$ 15 mil por mês

– Para se aposentar em 10 anos: R$ 10.018 por mês

– Para se aposentar em 15 anos: R$ 6.334

– Para se aposentar em 20 anos: R$ 4.515

– Para se aposentar em 30 anos: R$ 2.704

As mulheres precisam de mais dinheiro guardado por mês:

R$ 10 mil por mês

– Para se aposentar em 10 anos: R$ 14.295 por mês

– Para se aposentar em 15 anos: R$ 9.051

– Para se aposentar em 20 anos: R$ 6.443

– Para se aposentar em 30 anos: R$ 3.858

R$ 15 mil por mês

– Para se aposentar em 10 anos: R$ 21.442 por mês

– Para se aposentar em 15 anos: R$ 13.576

– Para se aposentar em 20 anos: R$ 5.787

– Para se aposentar em 30 anos: R$ 5.787

Começar cedo é importante

Para reduzir os aportes mensais, os especialistas consultados afirmam que começar a planejar a aposentadoria cedo é fundamental.

“O investidor ideal de aposentadoria é aquele que começa a guardar dinheiro logo que nasce. Quanto mais tempo, melhor”, diz Flavio Humberto Pretti, planejador financeiro da Planejar e sócio da Saroh Consciência Financeira.

Mauro Morelli, estrategista da Davos Investimentos, segue a mesma linha: “O primeiro ponto é entender que previdência deve ser encarada como algo prioritário. Não posso colocar na minha previdência o que ‘sobrou’ no meu mês. O raciocínio tem de ser ao contrário.”

“A primeira questão é saber o tamanho do desafio. O piso do INSS no Brasil é de R$ 1.100 e muita gente não se vê atendido por isso. Mas quando se faz o cálculo de quando precisaria ter guardado dos 65 anos aos 90 para viver com R$ 1.100 é um número enorme: R$ 243 mil, aos juros de 2,6% ao ano. Se você começa com antecedência tudo fica mais fácil”, afirma Jayme Carvalho, da Planejar.

Por onde começar, então?

De acordo com os especialistas, diversificar os investimentos é a estratégia mais indicada.

“Quando se concentra em uma única classe você pode ter um retorno grande, mas o risco é muito maior também. Conseguir balancear ativos pouco relacionados entre si faz bastante sentido no portfólio da aposentadoria”, diz Roberto Agi, chefe da Alta Vista Private.

Segundo o profissional, há diversas formas de investir focando na aposentadoria.

“Não dá para não falar de previdência privada. Além disso, há fundos imobiliários que pagam renda mensal, o que é interessante para um momento de aposentadoria. Na Bolsa, é importante ter uma diversificação global, não pensar só em ativos brasileiros. Ativos em moeda forte, como dólar, são boas escolhas”, declara.

Há opções dentro da renda fixa que são boas para longo prazo, segundo o especialista, como debêntures incentivadas, CRIs e CRAs, que são indexados à inflação e isentos de imposto.

Outro consenso é ter parte da carteira alocada em investimentos menos conservadores.

“É razoável imaginar que, quem corre mais risco terá um retorno maior. Existe uma tendência de o investidor brasileiro encarar a previdência como algo mais conservador, como algo de segurança. Mas, por ser algo de longuíssimo prazo, posso tomar mais riscos”, diz Morelli.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

 

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